Uma volta aos frenéticos anos 20

Os anos 1920 foram um período de rápido progresso para os caminhões e o transporte por caminhão.
Nos primeiros anos da década, os caminhões eram muito antiquados, muitas vezes equipados com sistemas de transmissão por corrente e pneus de borracha sólida. Com muita frequência, os motoristas ficavam expostos a flutuações de temperatura e dos elementos. Porém, quando o primeiro caminhão da Volvo saiu das linhas de produção, em 1928, ele já tinha eixos de transmissão, pneus pneumáticos, e o motorista ficava em uma cabine totalmente fechada.
Mesmo no estágio inicial do desenvolvimento, os caminhões da Volvo já eram construídos com um padrão muito alto de confiabilidade e qualidade, especialmente em comparação com caminhões não suecos, projetados sem considerar o clima e as estradas ruins da Suécia.
Acompanhe a seguir os primeiros passos e leia mais sobre o início dos caminhões da Volvo nos anos 20.

Volvo Series 1 e 2

Series 1 e 2

A Volvo deu início a suas atividades no final de 1926, preparando-se para a produção de carros, que começaria em abril de 1927. Não demorou para ficar claro que a demanda na Suécia por um carro sueco seria pequena.

Logo em dezembro de 1926, teve início o projeto de um caminhão de carga média (chamado 'Series 1') e, em fevereiro de 1928, o primeiro caminhão Volvo saiu da fábrica em Gotemburgo, Suécia (nessa fase inicial, a produção de carros e caminhões era realizada na mesma linha de montagem).

O primeiro caminhão, um sucesso inesperado
Ao contrário da demanda modesta de carros da Volvo, o primeiro caminhão Volvo foi um sucesso imediato. O plano original era produzir 500 caminhões "Series 1" com quatro cilindros e, depois, introduzir o caminhão mais potente, com seis cilindros. Contudo, os primeiros 500 caminhões foram vendidos muito rápido. Uma segunda série de 500 caminhões – a "Series 2" – foi planejada e fabricada.

O caminhão Volvo "Series 1" não era potente, tinha um modesto motor a gasolina de quatro cilindros e produzia apenas 28 bhp. A carga útil oficial limitava-se a 1.500 kg (metade do peso bruto), mas o projeto básico desse primeiro caminhão era muito sólido, por isso era usado com frequência para o transporte de cargas até com o dobro do peso legal.

Caixa de câmbio com três marchas e ergonomia
A velocidade dos caminhões Series 1 se limitava a 40 ou 50 km/h (menos com carga, especialmente em locais montanhosos). Porém, a direção era facilitada pela caixa de câmbio com três marchas e a ergonomia razoável, que incluía um nível relativamente baixo de ruído para o motorista.

Nesse caminhão, assim como em outros caminhões até meados da década de 30, o aquecimento era restrito ao calor do motor, que entrava na cabine pela placa de metal que a separava do motor.

Projeto completo realizado pela Volvo
Os caminhões Series 1 eram uma tentativa modesta que superou muito as expectativas, graças ao seu projeto simples e reforçado. Ao contrário de muitos outros caminhões dessa época, ele era totalmente projetado pela Volvo, incluindo o motor e a caixa de câmbio. Era entregue sem cabine, mas uma cabine padrão produzida pelo fabricante independente de carrocerias 'Åtvidaberg' (que também produzia as carrocerias dos carros) podia ser encomendada e instalada na fábrica da Volvo, antes da entrega.

Entretanto, a maioria dos caminhões desse tipo era entregue ao cliente sem cabine, e ele encomendava a cabine com suas próprias especificações de um dos vários fabricantes de cabines da região. Surpreendentemente, muitos caminhões Series 1 foram preservados até hoje, uma excelente prova de sua alta qualidade.

Volvo Series 3 e 4

Series 3 e 4

O segundo caminhão – refletindo a alta demanda...

Depois da lentidão nas vendas dos carros Volvo de quatro cilindros durante os primeiros anos, com certeza o sucesso do primeiro caminhão Volvo foi uma surpresa muito agradável. Os 500 primeiros caminhões Series 1 (cujos estoques deveriam durar até dois anos) chegaram aos clientes em seis meses. Foi necessário produzir outro lote de 500 caminhões de quatro cilindros devido à forte demanda.

...com pouco tempo para o descanso.
Os dois primeiros anos foram de atividade frenética na Volvo, com vários tipos diferentes de veículos projetados do zero. Depois disso, foi possível uma relativa tranquilidade, que viabilizou as diversas modificações realizadas nos novos caminhões Series 2 em relação ao primeiro caminhão da Volvo, de fevereiro de 1928.

Apesar dos caminhões ganharem uma potência cada vez maior, no breve período dos seis primeiros meses, a Volvo não teve oportunidade de criar um motor mais potente que o existente (original) de quatro cilindros, que produzia apenas 28 bhp. As duas proporções de eixo traseiro anteriores eram, contudo, reduzidas a uma única, o eixo "mais lento", que resultava em uma velocidade máxima menor, mas melhor dirigibilidade.

Dirigibilidade melhorada
A bitola do primeiro caminhão era idêntica à do primeiro carro da Volvo (apenas 1.300 mm), o que criava sérios problemas ao dirigir nas estradas daquela época. Muitas vezes, essas estradas eram apenas um par de trilhas abertas por carroças puxadas por cavalos, com cerca de 1,5 metro de largura. Isso gerava problemas para o primeiro caminhão Volvo, estreito, que não "cabia" nas pistas das carroças.

Por isso, os caminhões Series 2 tinham uma bitola mais larga, de 1.460 mm. Para criá-la, as molas traseiras foram movidas para fora dos trilhos da estrutura (na Series 1, as molas eram fixadas diretamente sob os trilhos da estrutura), uma forma segura de diferenciar os caminhões Series 2 de seus antecessores Series 1.

Apropriado para a produção em série
Em muitos aspectos, o segundo caminhão era mais adequado à produção econômica em série. Por exemplo, o belo volante de madeira foi trocado por um volante de "baquelite" mais padronizado.

Os caminhões Series 2 tiveram muito sucesso, tornando-se populares entre vários proprietários, além de outros grupos, como as empresas de ônibus, que começaram a usar esse caminhão como base para um ônibus pequeno simples, mas confiável. Esses pequenos ônibus tinham um chassi de caminhão e uma carroceria de ônibus com estrutura de madeira coberta por chapas de aço.